Um cheirinho do Médio Oriente

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Mai 09

Portugal é giro. Portugal é giro para quem teve a sorte de não nascer cá. Um tipo quer ir de férias, compra um bilhete, marca o hotel, passa umas vacances porreiras mas depois vai-se embora. Volta pra casa. Adeus e até pró ano. Desculpem mas não houve tempo para mais.

Mas eu não. Eu sou de Portugal, nasci aqui, acho que está estragado, digo mal e tenho sempre razão.

Portugal é assim uma espécie de puta velha. Anda nisto há muitos anos, sabe os truques todos da profissão mas não tem clientes em quem aplicar a sabedoria. Os que podem fogem para prostíbulos mais vistosos, onde ainda é possível obter algum prazer e dar por bom o capital investido.

 

Para um gajo que seja designer profissional, Portugal é um sítio mau para se trabalhar. Se se está no negócio por conta própria, todos os clientes têm um sobrinho com muito jeito que faria "esse trabalho por menos de metade do preço". Se se tem o azar de ter um emprego, o mais provável é estar a trabalhar para alguém que acha que ser criativo é não chegar a horas.

Passados uns anos começa-se a pensar que talvez "eles" tenham razão, que o maluco "sou eu" e que esta dor aguda talvez não seja de me irem ao rabo todos os dias.

Quando damos por isso estamos transformados naqueles prostitutos que trabalham só para pagar o vício.

 

Só há uma maneira de se largar um vício seja ele qual for: tem de se querer com muita força. E eu queria com muita força. Mas como todos os viciados, para passar para o outro lado do balcão não se pode continuar a beber a bica no mesmo café. Há que escolher outro estabelecimento para frequentar. Amores, foi o que eu fiz.

 

O problema é que a maioria dos outros estabelecimentos achavam que ser Português é assim uma espécie de doença contagiosa. Um vírus que se espalha quando se espirra e de repente está toda a gente a fingir que trabalha e que é produtivo, quando no fundo só se pensa em comer a mulher do patrão ou em ler "a Bola" de ponta a ponta na retrete.

Nesta fase quero aqui agradecer ao Mourinho. Puto, graças a ti pá, o Português que vai trabalhar "lá fora pra ganhar a vida" passou num abrir e fechar de olhos de "porreiro mas calão" a "genial e perfeccionista".

O Figo também é grande. Mas está velho e não tem aquela cena mística de saber o que vai acontecer no futuro. A gente vê aquele olhar fixo do Mourinho e acha que ele está a ter pensamentos profundos, visões gloriosas do que está para vir e assim.

 

E foi assim que eu me vendi: O Mourinho da publicidade. O mestre da mudança táctica. Mind games. Ganhei o campeonato e mudei de equipa com um contrato milionário... pronto, ok, não exageremos.

Mas quando mudamos de trabalho todos nós gostamos de pensar que foi devido ao nosso talento e tal que a coisa se deu... mas não. Muitas escolhas são aleatórias e baseadas em pressupostos totalmente errados, tipo: "ele disse que não gosta de PC's só de MAC's portanto deve ser sofisticado".

Claro que isso tem muito pouca importancia quando te mandam um bilhete de avião e dizem que contigo na empresa o céu é o limite e tal e tal. Fazes o check-in feliz e deixas a tristeza pra lá, trá- lá -lá, trá- lá -lá.  

publicado por narizgrande às 13:27

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